Perante a nossa afirmação: “Os pais que estão mais focados na aprendizagem conseguem que os seus filhos tenham melhores notas”, uma mãe questionou: “E como é que isso se faz alguém me explica? Preciso de coaching
Como se motiva para estudar pelo saber em si? Porque temos crianças que gostam realmente de aprender e outras que não e pronto. Como tiramos “pronto” desta frase?
Obrigada pela pergunta. Esta é uma questão que inquieta muitos pais e mães (e até professores) com que nos cruzamos diariamente.
Para começar, gostaria de colocar uma questão e a partir daí procurarmos o caminho a seguir. Será que existe alguma criança no mundo que não goste realmente de aprender?
Eu arriscaria que o que geralmente se quer é que todas as crianças aprendam as mesmas coisas e da mesma forma. A escola tem os programas para cumprir. A maior parte das vezes a forma de ensinar não é diferenciada. À criança cabe “encaixar” (ou nem por isso) no que lhe é proposto. E o problema pode surgir aí – a criança que parece não se interessar por nada, que muitas vezes é seguido de insucessos académicos, “terminado” com a ideia de que a criança “não é boa em nada”.
Antes de avançar, pergunto-lhe: “Que papel, como Mãe quer ter, já que os programas são para cumprir e o trabalho de ensinar cabe aos professores?”
Alguns pais referem que “parece-me que o meu filho não se interessa mesmo por nada”. Agarrados a esta ideia é mais difícil encontrar áreas de interesse para além das escolares (às vezes existem mas não são valorizadas – o que fará com que seja dada menos importância a essas “outras áreas”?). Para começar a inverter o ciclo, pense nalguma coisa que o seu filho realmente aprecie. Como é que ele faz quando está perante esse objecto ou situação? Por exemplo, se apreciar jogar no computador, ele tem que aprender a jogá-los! Como faz isso? Se for cozinhar, ele tem que aprender a cozinhar! Como é que ele faz isso? Se for tirar fotografias, ele tem que aprender a tirá-las! Se for… Poderemos continuar a lista e ela seria, certamente, muito extensa.
Proponho algumas pistas para reflexão e que poderão ajudá-la a descobrir o seu caminho:
- Do tempo que semanalmente tem para estar com a criança, quanto tempo quer gastar em tarefas relacionadas directamente com a escola (TPC’s, estudar…) e quanto tempo quer dedicar a fazer coisas que a criança goste, seja boa, tenha prazer? Em que dias da semana poderão acontecer cada um “dos tempos”?
- Peça à criança para dizer actividades que gosta de fazer (se for mais velha pode pedir-lhe que as escreva e podem escolher um sitio para afixar o documento). Pode ser ir ao cinema, brincar com amigos, ficar no sofá a ver televisão, ir andar de bicicleta, ir comprar roupa… Vale tudo! Conhece o seu filho como ninguém poderá apoiá-lo a descobrir muitas coisas. Será também um momento excelente para o ouvir. Quando nos aceitam e nos acolhem, sentimo-nos mais à vontade para partilhar o que nos vai no coração. Acha que o seu filho aceitaria este desafio? Como poderá descobrir o que ele realmente aprecia?
- Recordar os sucessos aumenta a auto-confiança e dá-nos asas para voar. Podem procurar lembrar-se de situações em que fizeram algumas das actividades enunciadas anteriormente, em que foi bom, em que se conseguiu superar desafios. Há muitas formas de o fazer – dialogando, vendo fotografias da ocasião, fazendo um jogo de adivinhas (em que um relata a situação – local, pessoas envolvidas, sensações, emoções…; e o outro tem que adivinhar). Basta dar largas à imaginação. O que faz sentido lá por casa?
- Uma vez identificadas as áreas de interesse, há que “ir atrás”, aprofundá-las, utilizá-las como um catalizador para desenvolver o gosto pela aprendizagem. Deixo-lhe algumas ideias como inspiração mas depois, pensando no seu filho (único, especial, cheio de interesses e talentos) terá que dar largas à imaginação e criar mais soluções.
- Imagine uma criança que gosta de jogos. Pode pedir-lhe que crie um “quiz” de uma área de interesse (ex: história, música, ciências, geografia, culinária, futebol…) que depois toda a família poderá jogar. Como pôr esta ideia em prática? A criança fará vários cartões com perguntas (1 cartão – 1 pergunta). Em cada cartão, para alem da pergunta, deverão estar 3 ou 4 respostas possíveis e em baixo deverá estar assinalada a resposta (opção) certa. Para criar o jogo, a criança terá que ler a matéria/informação, saber fazer perguntas e saber a resposta (e ainda tem que escrever o que ajuda à memorização). Podem constituir-se 2 equipas. A equipa A tira o cartão, lê a pergunta e a equipa B tem que responder. Depois inverte-se. Vão-se contabilizando os pontos. Imagine que a criança gosta de escrever no computador. Pode fazer o jogo utilizando esse recurso. Importante, importante – o momento de jogar (é a apresentação do resultado, do produto final). Se o jogo criado não for adequado para toda a familia, será que pode ser um momento especial de Mãe – filho?
Deixo-lhe ainda uma sugestão de leitura (um artigo a propósito do livro “Todas as criança spodem ser um Einstein”) e ideias de como pode criar tempos especiais para cada um dos filhos.
Se necessitar de mais apoio, poderá contatar-nos através do geral@familycoaching.pt
