A questão é simples – como hei-de gerir, da melhor forma, o tempo dos trabalhos de casa ao final do dia? O tempo que tenho para estar com os meus filhos é pouco, as tarefas domésticas ocupam-me algum tempo… Tenho dois filhos em idade escolar e ambos precisam do meu apoio. Gostava que eles fossem capaz de fazer os trabalhos sozinhos, sem eu ter que os mandar, do género “chegar a casa e ir logo fazer os TPC, para se despacharem”, como eu fazia quando tinha a idade deles. Gostava mesmo de resolver esta questão pois sinto que me causa muito stress e desgasta a nossa relação de mãe – filhos.S.
Os trabalhos de casa preocupam muitos pais, nomeadamente a sua gestão relativamente às rotinas diárias e à vida familiar. Obrigada por partilhar connosco as suas dúvidas. Proponho-lhe um caminho de reflexão para que possa encontrar as suas respostas, aquelas que melhor funcionarão na sua família. Terá que ser criativa e terá que estar disposta a experimentar novas estratégias. Será uma aventura. Quer vivê-la? Partamos, então!
Os seus filhos são diferentes de si. São únicos e especiais, por isso, dificilmente farão como a S. fez quando tinha a idade deles. Já reparou neles? O que mais aprecia em cada um? Arranje duas folhas – uma para cada filho – e descreva-os com a maior precisão que conseguir. Centre-se nas características positivas de cada um, no que cada um gosta de fazer, como é o seu ritmo, o que o faz ser uma criança bem disposta… Já reparou? Tantas coisas boas… Olhar para cada criança como única e especial, permite descobrir a estratégia que poderá ser mais eficaz para ela. Como são os seus filhos? Gostam de despachar primeiro as obrigações para depois ficarem com mais tempo para fazer o que querem? Ou gostam de primeiro relaxar e depois fazer as obrigações? Ou gostam de intercalar prazer e obrigação?
Chegar a casa e fazer logo os trabalhos de casa muitas vezes é o que nos parece mais eficaz, que se encaixa mais nas nossas rotinas de Mãe e de Pai. Mas será o que mais se encaixa no ritmo de cada um dos seus filhos? Já experimentou perguntar-lhes o que querem fazer quando chegarem a casa? Já elaborou um plano, com eles, acerca do que poderão fazer quando chegarem a casa? (um plano que inclua as obrigações e o prazer?)
E o seu ritmo – como é? O que aprecia? O que é que gostaria de fazer quando chega a casa? As tarefas domésticas que menciona deverão ser feitas diariamente? E se não forem? Terão que ser feitas só por si?
Uma das mães que acompanhei, cansada de “ser escrava” das tarefas domésticas (ir ao supermercado, fazer refeições, pôr e levantar a mesa, tratar da roupa…), depois de muito ser confrontada com a minha pergunta “O que é que quer?” / “Como gostaria que fosse o seu final de dia?” Tomou, um dia, uma decisão radical – ir ao ritmo de todos, sempre que possível, cumprindo apenas o que era mesmo obrigatório. O que significou isto para ela?
Começou por fazer uma lista do que era obrigatório fazer diariamente. Para cada tarefa questionei-a: “É mesmo obrigatório que aconteça todos os dias? E se não se fizer?” Faça a sua lista e questione-se!
Essa mãe imaginou como gostaria que fossem os seus finais de dia – o que gostaria de fazer quando chegasse a casa, como gostaria de se sentir, ao que queria dar prioridades… Já pensou no seu final de dia? Que tempo gostaria de estar com os seus filhos? O que gostaria de fazer durante esse período? Feche os olhos, imagine-o com a maior clareza que conseguir.
A mãe com quem trabalhei quis dedicar algum tempo a brincar com os filhos mas para que isso fosse possível teve que abdicar de algumas coisas… O banho diário diminuiu de importância face aos 20 minutos que passou a dedicar a brincar no chão. E a S. do que é que está disposta a abdicar para ganhar tempo?
Outra estratégia que esta mãe descobriu foi envolver as crianças nas tarefas – por e levantar a mesa, pôr roupa na máquina e fazer o jantar passaram a ser actividades de toda a família. Um dia aconteceu até uma situação curiosa. No caminho de regresso da escola combinaram fazer o jantar todos juntos. Mas, uma vez em casa, cada criança quis ir brincar, desenhar… Fazer algo que lhe apetecia. E a mãe fez o mesmo – sentou-se no sofá a ler um livro! Informou a restante família que precisaria da ajuda deles para fazer o jantar e pediu-lhes que a informassem quando estivessem disponíveis para o fazer. Surpreendidas com o comportamento da mãe, passado pouco tempo, houve quem se voluntariasse para ir para a cozinha!. E consigo, como é? Quando as crianças vão brincar, o que faz? Costuma envolvê-los nas tarefas domésticas a que se refere? O que aconteceria se as fizessem em conjunto, de uma forma agradável e divertida?
E os Trabalhos Para Casa (TPC), onde ficam no meio de tanta azáfama? Importa parar e analisar vários pontos: 1) momento em que são feitos; 2) necessidade de acompanhamento da sua parte; 3) consequências do incumprimento de algo que venha a ser acordado em relação a este tema.
Relativamente ao ponto 1 e tocando já o ponto 3… Releia o que escreveu acerca de cada um dos seus filhos, do ritmo deles, do que apreciam fazer quando chegam a casa… Pense porque é que para si é importante que eles façam os trabalhos quando chegam a casa. E se não os fizerem nessa altura? Se forem primeiro brincar, tomar banho, ajudar a pôr a mesa ou a fazer jantar? O que acontecerá? Será que poderiam fazê-los noutro momento? Estará disposta a experimentar e a confiar neles? E se não cumprirem? Se mesmo escolhendo a altura para realizar os TPC, quando chegar a hora combinada não quiserem fazê-los? O que dirá? O que fará? Seria capaz de algo radical? Por exemplo, deixá-los ir para a escola sem trabalhos de casa feitos? O que seria razoável e sensato para si? Qual é o seu limite?
Menciona que os seus filhos necessitam do seu apoio e a dificuldade de conseguir esse tempo uma vez que tem as tarefas domésticas para realizar… Que tempo gostaria de dedicar ao acompanhamento dos seus filhos durante a realização dos TPC? Necessita de dedicar a mesma quantidade de tempo todos os dias? Será possível uma conjugação entre esse tempo e a re-organização das tarefas domésticas? Como?
Mudar é sempre possível, mesmo em questões complexas como os TPC e as tarefas domésticas de uma vida familiar. Para isso basta parar, ser criativo, confiar e ARRISCAR!
Experimente arriscar e se precisar de mais apoio conte com a equipa Family Coaching, estamos aqui, deste lado. Boa sorte para a sua aventura!